Comprar um Imóvel Ainda Vale a Pena? – Uma Defesa da Concretude em Tempos Líquidos

Em tempos de fluxos, freelas, viagens de última hora e vínculos afetivos com prazo de validade, dizer que comprar um imóvel é uma boa ideia soa quase retrógrado. Como se fosse um ato de rebeldia conservadora, um grito antiquado no meio de um mundo que gira em torno do agora. "Comprar imóvel? Em pleno 2025? Mas e a liberdade?" — perguntam os entusiastas da mobilidade líquida, com ar de desapego cuidadosamente ensaiado.

Pois bem. Vamos falar de posse, de raízes, de concreto. Sim, aquele mesmo concreto que não sobe nem desce com a Bolsa, que não evapora em NFTs e que continua ali mesmo quando seu aplicativo de banco decide travar.

Comprar um imóvel é, antes de tudo, um ato de resistência. Uma forma de dizer: eu não vou passar a vida financiando o patrimônio dos outros. Porque, no final do mês, a verdade inconveniente para o time do aluguel libertário é que aluguel é, sim, o financiamento do imóvel alheio com seu próprio suor — só que sem escritura, sem patrimônio, sem nada.

Sim, alugar pode fazer sentido... até não fazer mais. Até você receber aquela mensagem dizendo que o proprietário vai pedir o imóvel de volta porque a filha resolveu casar. Até você cansar de pintar parede dos outros, investir em mobília para espaços que nunca serão seus, ou pagar um reajuste de 11% com o delicado aviso de que é “o mercado”.

Comprar, por outro lado, é amarrar o tempo. É transformar o que é passageiro em permanência. E não, não se trata apenas de “investimento” no sentido financeiro. Trata-se de estabilidade. De identidade. De saber que aquele lugar, com suas tomadas tortas e azulejos discutíveis, é seu. E de que ninguém, absolutamente ninguém, vai te tirar dali porque decidiu reformar ou vender para um primo distante.

Claro, há juros. Há custos de escritura, registro, IPTU, manutenção, condomínio e todas as outras dores que os pregadores do aluguel adoram listar como se fossem pragas bíblicas. Mas há também uma contrapartida clara, palpável, inegociável: ao fim do processo, você tem algo que é seu — e que fica.

E se você acha que imóvel não dá retorno, experimente conversar com aquele tio calado que comprou um sobradinho na zona norte em 1998 e hoje vive de aluguel dos netos da especulação. O imóvel não valorizou? Pois ele ao menos não desvalorizou em cliques e histerias digitais como certos fundos estrelados que prometeram o céu e entregaram sardinhas.

Comprar é, sim, um ato de coragem. Coragem de se comprometer, de escolher um CEP, de bancar uma escolha no mundo onde todo mundo vive fugindo delas. Comprar é para quem não tem medo de parar. De criar raízes. De entender que imóvel não é só investimento — é morada, legado, abrigo, até trincheira, quando o mundo lá fora insiste em ser volátil.

Então, antes de repetir que “alugar é mais inteligente”, experimente olhar além da planilha. Às vezes, inteligência está na matemática. Outras vezes, está no concreto.

E no concreto, meu caro, é melhor estar dentro do que fora.


Por Blog da VILLEO Imóveis - villeo.com.br

Comentários

Postagens mais visitadas